Como lidar com estresse e ansiedade em tempos desafiadores?


Numa época em que enfrentamos inúmeros desafios em níveis individual e coletivo, todos os dias. Num tempo em que as noticias alimentam os nossos medos e tiram o nosso sono. Numa era em que a alienação e a desorientação atingem um patamar nunca antes alcançado, nos sentimos perdidos, desorientados... e por consequência... ESTRESSADOS!


Quantas vezes nos deparamos com a palavra ESTRESSE no nosso dia a dia? Quantas pessoas da sua convivência, já passaram ou estão passando por algum tipo de crise relacionada ao estresse? Com que frequência nos sentimos estressados, sobrecarregados, entediados, sem energia, cansados?


Há pessoas por toda parte que se queixam de dores nas costas, dores de cabeça , insônia, hipertensão, dores nas articulações, tensão nos ombros, crises de gastrite, entre outros. Essas são as manifestações no plano físico, mais facilmente percebidas pelo indivíduo.


Teorias holisticas consideram que qualquer desequilíbrio manifestado no corpo é resultado de um desequilíbrio mental ou uma atitude não saudável.

No que diz respeito ao que é ou não saudável, precisamos entender o que é saúde. A Organização Mundial da Saúde (OMS) define saúde como “um estado de completo bem-estar físico, mental e social, e não apenas a ausência de doenças”.

Normalmente achamos que, se não estamos doentes, estamos com saúde. Mas saúde não é apenas a ausência de doença, mas também ausência de fatores que perturbem a mente.


O estresse é um fenômeno natural e faz parte das nossas vidas, mas em excesso pode prejudicar a nossa saúde física, mental e emocional.


Todo estresse tem natureza psicossomática e, portanto, as doenças que afligem o ser humano são chamadas de distúrbios psicossomáticos ou distúrbios do estresse, cuja causa reside na falta de ajuste do equilíbrio homeostático e os constantes e variados estímulos que bombardeiam os sistemas de ambientes internos e externos. (Manohar Laxman Gharote, 2002)


Saber como o seu corpo reage ao estresse e aprender a lidar com a ansiedade, pode te ajudar a gerenciar melhor as suas emoções antes que o estresse se instale de forma crônica, pois quando isso acontece, aparecem os desequilíbrios: insônia, tensão muscular, hipertensão, enxaqueca, síndrome do pânico, depressão, neuroses, etc.


Nós possuímos um sistema nervoso complexo, que tem nos permitido sobreviver por milhões de anos, respondendo com sucesso às ameaças do ambiente interno e externo.

Parte deste sistema, o Sistema Nervoso Simpático (SNS), responde às ameaças de forma automática, sendo responsável pela resposta de luta e fuga, enquanto uma outra parte, o Sistema Nervoso Parassimpático (SNP), é responsável pela resposta de relaxamento e digestão.


Quando uma ameaça é percebida, o SN Simpático, que é imediatista, entra em ação - os sentidos ficam mais aguçados, os músculos ficam mais tensos, os batimentos cardíacos aceleram, o raciocínio lógico é comprometido e a única preocupação é sobreviver - atacar ou defender. Neste estado, a habilidade de sentir o corpo diminui consideravelmente.


Quando diante de uma ameaça, conseguimos respirar e avaliar a situação com mais clareza, o SN Parassimpático é ativado, onde a respiração se torna mais profunda e consciente, há mais fluxo de sangue para os órgãos e aumenta a habilidade de pensar conceitualmente. Neste processo, é possível sentir as necessidades reais do corpo, sendo possível se conectar com sensações e emoções.


É normal que transitemos de uma sistema para o outro, pois os dois são necessários para nos manter vivos, em pleno funcionamento.


A questão é que, diante de uma crise ou uma situação de extrema vulnerabilidade, a todo momento sentimos a ameaça e reagimos como se precisássemos fugir de um leão, vivendo muito mais no modo “luta e fuga” do que no modo “relaxamento”.


Uma das formas de transitar do modo “luta e fuga” para o modo “relaxamento” é através de práticas que ajudam a relaxar, descansar e restaurar corpo e mente, dando a oportunidade de o sistema nervoso se organizar.


Existem muitos estudos que apontam práticas contemplativas - como Yoga, técnicas de respiração, relaxamento, meditação, arteterapia, etc - como recursos importantes no combate ao estresse.


Precisamos dar atenção à nossa saúde, mas não apenas à nossa saúde física; não apenas à nossa saúde emocional; não apenas à uma de nossas partes, precisamos dar atenção à nossa saúde em todos os níveis, de forma INTEGRAL.


Dar a devida atenção a nós mesmos, às nossas necessidades, às nossas sensações, emoções, pensamentos e intuição é fundamental para a manutenção da saúde integral.



Cuide-se bem!




⁃ Movimente-se! Pratique atividade física.


⁃ Pratique Yoga: os ásanas, ou posturas psicofísicas do Yoga, ajudam a cultivar a saúde do corpo físico, promovendo estabilidade, equilíbrio psíquico, agilidade, flexibilidade, resiliência e vitalidade.


⁃ Alimente-se bem: priorize alimentos frescos e nutritivos. Evite alimentos processados e industrializados.


⁃ Durma bem! Uma boa noite de sono ajuda a repor as energias e promove o equilíbrio geral do organismo.


⁃ Pare por um instante!! Respire!! Respire conscientemente...


⁃ Reserve um momento do seu dia (ou mais de um) para silenciar. Medite!


⁃ Relaxe! Silêncio, pouca luz, música, aromas, conforto, acolhimento e auto-amor, encorajam o estado de relaxamento.


Cuidar de si mesmo é um ato de auto-amor e também de amor ao próximo.


Quando eu sou capaz de cuidar de mim com amor e compaixão, me torno capaz de cuidar do outro e do todo com mais amor e compaixão. Sempre começa com a gente.


Não acredite se alguém, ou você mesmo, disser que cuidar de você é um ato egoísta. Egoísmo seria não se cuidar, não se amar.


O autocuidado é um dos caminhos para sustentar o bem-estar físico e psicológico em tempos de estresse e crise.


Seja a sua prioridade!



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